quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Fim de Temporada
Ao amanhecer, sobre as areias úmidas, ainda vagueiam alguns noctâmbulos embriagados que tentam esquecer uma noite de má sorte no cassino da praia. É naqueles momentos que Eduardo desperta. O céu é mais uma vez desesperadamente azul, as nuvens dos confins do Atlântico se fazem esperar. Eduardo não abrirá o "Neptune Place". Ninguém mais vem alugar suas esteiras de praia, seus pedalinhos, seus guarda-sóis. O objeto de suas preocupações é uma jovem bananeira que ele plantou atrás da janela sudoeste de onde pode observar seu crescimento. Assim que aparece um novo broto, ele faz questão de noticiá-lo e vai à casa de Zeca, seu vizinho mais próximo, atravessando o bairro abandonado.
Defronte ao número trinta e oito, ele relembra as "noitadas de canastra" que organizava com seus amigos argentinos e que se prolongavam até altas horas da noite. Era divertido. Riam, bebiam. Sobre a praia, Eduardo examina os restos do verão: objetos esquecidos pelos turistas, embalagens, latas, garrafas de plástico, marcas na areia. Um carro imóvel em frente ao mar com os vidros embaçados. Os funcionários da administração regional se perdem nestas zonas esquecidas para se aproveitar de jovens telefonistas cheias de futuro. Eduardo pensa que será preciso fazer alguma coisa enquanto espera o retorno de Vera.
Zeca desprendeu-se dos braços de sua patroa para receber o visitante. Zeca sem dúvida vai passar o inverno no abrigo com ela, depois se verá... Eles trocam algumas palavras enquanto ela serve o licor de anis. Eduardo pediu emprestado a seu vizinho alguns prospectos turísticos: "Esta encantadora praia dá a todos a certeza de férias felizes, animadas pela vida intensa que lá se desenrola, em face ao mar que reflete em suas ondas o esplendor do Sol e a serenidade azulada do ar." Esta noite ele fechará os olhos enquanto espera as tempestades e o retorno de Vera.
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