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quarta-feira, 15 de junho de 2011

The End

Oi! Meu nome é Creepy. Calma, não se assustem com minha cara de maníaco que acabou de fugir do manicômio. Não julguem o livro pela capa. Aliás, podem me chamar de Tio Creepy. Bom, estou aqui para lhes apresentar uma história que se passa na noite de Halloween. Como todos sabem, todo dia 31 de outubro, as crianças dos Estados Unidos se fantasiam e vão de casa em casa pedindo guloseimas. A máscara típica é uma abóbora com boca e olhos, iluminada, por dentro, por uma vela... Bom, mas não serei eu a lhes relatar a história...

"Bom dia, Kansas, aqui é o Tom Thompson, da 'Rádio Kansas'. Receio que as notícias de hoje não nos façam começar o dia com muito otimismo... Para começar, direi que a família Clutter, de Garden City, foi encontrada morta esta noite por um grupo de crianças da vizinhança que foi até lá pedir doces. A primeira vítima que as crianças encontraram ao entrar na casa foi a senhora Clutter, conhecida na comunidade como uma mulher excepcional. Seus vizinhos a consideravam uma pessoa boa e afável. Participava de todas as atividades beneficentes da paróquia e até mesmo se encarregava pessoalmente de organizar muitas delas. A senhora Clutter foi encontrada pelas crianças na cozinha... Pendurada pelo pé esquerdo. E, segundo a perícia, em seu corpo havia sinais de espancamento e estupro. Bom, todos vocês devem estar se perguntando quem teria feito isso. Muita gente que conhecia a família, sem dúvida, já deve ter uma suspeita... Mas é melhor continuar relatando os fatos, porque a tragédia não acaba aqui... O segundo corpo encontrado foi o da senhorita Nancy, filha mais nova dos Clutter. Como sua mãe, Nancy também era muito querida no bairro. E as crianças a reconheceram imediatamente porque ela dava aulas na escola local. Melhor não dar detalhes sobre como foi encontrado o cadáver... O terceiro corpo encontrado foi o do senhor Clutter... Herbet Clutter era um homem sóbrio e respeitável. Sempre ocupava os primeiros lugares na paróquia metodista da comunidade. Era um ser de profundas convicções religiosas, e seu corpo foi terrivelmente multilado enquanto ele lia a Bíblia, como fazia todas as noites. O horrível desfecho que as inocentes crianças tiveram de presenciar foi oferecido pelo próprio assassino... Este estava assobiando uma canção na banheira - segundo o depoimento de um dos meninos -, com uma faca toda ensanguentada e com os pulsos cortados... Tratava-se do próprio primogênito dos Clutter: Dick! Sim, Richard Clutter, a grande promessa do futebol local. O jovem que saiu de casa para ser soldado para matar "matar e violar a lei de Deus", como sempre reprovou seu velho pai... Segundo uma das testemunhas, pouco antes dela e de seus amigos fugirem de medo do local, Dick havia lhe dito: "Bela partida, hein, garoto? Hê! Hê! Três a zero... Bom, agora serão quatro." Agora a noite se foi e o dia amanheceu como se quisesse esquecer... Mas será difícil, muito difícil, Garden City esquecer uma coisa dessas... Dick está foragido e, neste momento, a polícia vasculha a casa em busca de alguns detalhes, como por exemplo, a cabeça do senhor Clutter, que ainda não foi encontrada, apesar da busca minuciosa... Bem, é isso. Fiquem conosco para mais detalhes deste aterrorizante caso."

Oi! Sou eu novamente, o Tio Creepy... Que história, hein?! Aposto que se cagaram de medo. Hê, Hê... Esse Dick e sua mania de rechear abóboras de maneiras... Digamos, nefastas. Imagine, utilizar a cabeça do próprio pai como recheio! É até original, se me permitem dizer... Sabem, este conto me fez lembrar de um grande som da banda "The Doors", que todos devem conhecer e que combina perfeitamente com a situação....


"(...) O matador acordou antes do amanhecer, ele pôs suas botas
Ele tirou uma foto da antiga galeria
E andou pelo corredor
Entrou no quarto em que sua irmã vivia, e...então ele
Pagou a visita a seu irmão, e então
Ele andou pelo corredor, e
Ele veio até a porta... ele olhou para dentro.
- Pai?
- Sim filho?
- Eu quero te matar.
- Mãe... Eu quero...
(...) Este é o fim, belo amigo,
Este é o fim, meu único amigo, o fim.
O fim da gargalhada e das mentiras suaves.
O fim das noites que tentávamos morrer.
Este é o fim."

sábado, 11 de junho de 2011

Microconto: Uma Bela Histórinha Infantil Pós-Moderna

O Patinho faz "quém-quém" quando cheira uma farinha. Ele deve grana pro Gatinho Cabeção. A garota de Trancinhas tem pena do Patinho e ofereçe as jóias de sua avó para pagar a dívida. Mas a vó da menina, que na verdade era a chefe de uma gangue barra-pesada, descobre tudo e, numa briga, uma mata a outra. O Gatinho fica sem emprego, o Patinho sem farinha, nem namorada. Os dois se tornam amantes e, com a grana da vovó, vivem felizes para sempre.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cristina ²

Estávamos fazendo amor. Mal sabíamos que meu pai havia chegado em casa e estava subindo. Mas, com nossos corpos nos tocando, era como se o mundo não existisse, que Márcio e eu fossêmos as únicas pessoas do mundo, assim como Adão e Eva. Infelizmente, a realidade era bem outra. E eu voltei ao planeta Terra assim que meu pai, como um animal, arrombou a porta.
- Era assim que eu queria ver vocês, filhos da puta! - berrou o maldito, invadindo o quarto - Vem cá, seu safado, eu vou te ensinar uma lição!
Meu pai deferiu um violento golpe de cassetete em Márcio, que tentou reagir, mas acabou no chão.
- Larga ele, seu porco, larga ele. – eu implorava, sem sucesso.
Meu pai continuava a espancar o meu amado, que tentava revidar. Mas o monstro pegou a arma... e o final foi inevitável. Era o fim de Márcio, o pai do meu filho e o primeiro homem que eu amei.
Passaram os meses e eu tive o meu filho. Dei-lhe o nome de Vinícius. Meu pai soube "tirar o corpo fora" e tudo ficou com legítima defesa. Além disso, o Márcio já tinha antecedentes. Ameaçou-me, se eu pensasse em denunciá-lo, mas isso era algo que eu não ia fazer. Eu sabia esperar. O tempo foi passando e Vinícius crescia com impaciência. Era impressionante a curiosidade do menino, toda noite, antes de dormir, me perguntava sobre o seu pai... E eu reproduzia para ele nossos momentos mais alegres, sempre com lágrimas no rosto. Outra coisa que me intrigou era o jeito que o garoto olhava a pistola do avô, a mesma que matou Márcio. Era como se ele procurasse derscobrir o passado da arma.
O pobrezinho ia crescendo sem ter um modelo masculino para se inspirar. Afinal de contas, o meu pai nunca teve instintos muito carinhosos para com o neto. Já era de se esperar. Quando o meu filho completou oito anos, não lembro por quê, o Marcio saiu na conversa. Eu e meu pai discutimos e ele me bateu. O garoto viu tudo e pegou a arma, que de algum jeito, acabou disparando e acertando o monstro. Eu nunca contei para Vinícius como o seu pai morrera... Mas pensava em fazê-lo. Mas não sei como nem por que, ele já devia saber faz tempo...

Microconto: Poysonville

Às vezes penso que esta cidade de nome Poysonville não é nada mais do que o sonho de uma mente pervesa e doentia. O delírio de um psicopata encarcerado em uma obsessão paranóica crônico-depressiva... Ou talvez alguém que, devido a um dissabor, bebeu demais a noite toda e caiu em um sono agitado e profundo. Alguém que, mais cedo ou mais tarde, vai acordar, não muito satisfeito...