Powered By Blogger

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cristina ²

Estávamos fazendo amor. Mal sabíamos que meu pai havia chegado em casa e estava subindo. Mas, com nossos corpos nos tocando, era como se o mundo não existisse, que Márcio e eu fossêmos as únicas pessoas do mundo, assim como Adão e Eva. Infelizmente, a realidade era bem outra. E eu voltei ao planeta Terra assim que meu pai, como um animal, arrombou a porta.
- Era assim que eu queria ver vocês, filhos da puta! - berrou o maldito, invadindo o quarto - Vem cá, seu safado, eu vou te ensinar uma lição!
Meu pai deferiu um violento golpe de cassetete em Márcio, que tentou reagir, mas acabou no chão.
- Larga ele, seu porco, larga ele. – eu implorava, sem sucesso.
Meu pai continuava a espancar o meu amado, que tentava revidar. Mas o monstro pegou a arma... e o final foi inevitável. Era o fim de Márcio, o pai do meu filho e o primeiro homem que eu amei.
Passaram os meses e eu tive o meu filho. Dei-lhe o nome de Vinícius. Meu pai soube "tirar o corpo fora" e tudo ficou com legítima defesa. Além disso, o Márcio já tinha antecedentes. Ameaçou-me, se eu pensasse em denunciá-lo, mas isso era algo que eu não ia fazer. Eu sabia esperar. O tempo foi passando e Vinícius crescia com impaciência. Era impressionante a curiosidade do menino, toda noite, antes de dormir, me perguntava sobre o seu pai... E eu reproduzia para ele nossos momentos mais alegres, sempre com lágrimas no rosto. Outra coisa que me intrigou era o jeito que o garoto olhava a pistola do avô, a mesma que matou Márcio. Era como se ele procurasse derscobrir o passado da arma.
O pobrezinho ia crescendo sem ter um modelo masculino para se inspirar. Afinal de contas, o meu pai nunca teve instintos muito carinhosos para com o neto. Já era de se esperar. Quando o meu filho completou oito anos, não lembro por quê, o Marcio saiu na conversa. Eu e meu pai discutimos e ele me bateu. O garoto viu tudo e pegou a arma, que de algum jeito, acabou disparando e acertando o monstro. Eu nunca contei para Vinícius como o seu pai morrera... Mas pensava em fazê-lo. Mas não sei como nem por que, ele já devia saber faz tempo...

Nenhum comentário:

Postar um comentário