Quando ouço a voz da noite
Pressinto passos do dia seguinte
Não sou um mero ouvinte
Sou do destino autor, contribuinte
Às vezes a mais silenciosa das almas
Revela-me onde estão os traumas
As chaves das algemas
Que me prendem no mar de chamas
Quando a noite me ouve
Permito que descubra meus segredos
Conto das tristesas às alegrias
Traço caminhos para o dia seguinte
Às vezes ótima conversa
Revelo ao coração o velor deste momento
Esses em que eu e a noite
Decidimos as pautas das próximas madrugadas
sexta-feira, 20 de maio de 2011
A Voz da Noite
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Se eu Morrer...
Se eu morrer antes de vocês
Me encaixotem de uma vez
Contem aos meus amigos a notícia maldita
E agitem uma festa com muita bebida
Ao lado do som, me deixem só
E subam o volume sem ter dó
Se acabem até o Sol raiar
Depois é hora de enterrar
O funeral vai devagar
Pra cerveja não entornar
Achem um lugar sem calçada
E me enterrem perto da estrada.
Me encaixotem de uma vez
Contem aos meus amigos a notícia maldita
E agitem uma festa com muita bebida
Ao lado do som, me deixem só
E subam o volume sem ter dó
Se acabem até o Sol raiar
Depois é hora de enterrar
O funeral vai devagar
Pra cerveja não entornar
Achem um lugar sem calçada
E me enterrem perto da estrada.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Encontro Com o Inesperado ²
(...) Aos poucos eles foram chegando. Eu achei uma cópia das chaves da casa e abri a porta para um bom número de pessoas que, como eu, estavam ansiosas pelo encontro com o inesperado. Não demorou muito para aquela reunião virar uma festa de sucesso! Vinho magnífico rolando, sonzinho massa tocando, fumo do bom – que eu encontrei em uma gaveta da sala – passando de mão em mão... Todos dançavam ferozmente e o homenzinho estava realizado! No lado de fora da casa, Sophia me contava histórias incríveis sobre ela: de como nasceu em uma família intelectualizada, mas ao mesmo tempo, de baixa renda; de como seu nome era uma homenagem à atriz favorita de seu pai Sophia Loren; entre outras coisas... E enquanto ela falava, eu apenas ficava admirando seu lindo rosto e me controlava para não agarrá-la ali mesmo. Mas como havia bebido várias taças de vinho, não me aguentei. Tomei coragem e a "ataquei". Para minha surpresa, ela parecia estar esperando por aquilo e consentiu ao meu beijo. O que eu não esperava era ser empurrado para dentro da piscina que havia na nossa frente! Sophia, é claro, deu suas gargalhadas...
Eu estava quase me sentindo humilhado, quando ela pulou em seguida na água. Nós nos beijamos mais e nos agarramos como enguias desenfreadas! A água estava quente e ficamos submersos por um bom tempo... Sim, caro leitor, é claro que terminamos fazendo amor ali mesmo na piscina... Foi simplesmente perfeito! Era sem dúvida uma daquelas noites mágicas da qual a gente não se esquece tão cedo... Mais eis que de um momento para o outro a situação se transformou numa verdadeira confusão. Comecei a ouvir gritos e descobri que algum filha-da-puta havia chamado a polícia! Está cada vez mais difícil de se divertir hoje em dia... A festa já era e muita gente foi presa... Quando mergulhei de novo, percebi que minha deusa havia sumido! Achei melhor dar um tempo ai embaixo até que as coisas se acalmassem... Mas uma pergunta não me saia da cabeça: onde estaria Sophia?! Aquela mulher irresistivelmente intrigante que mudou a minha vida em apenas uma noite havia desaparecido como num passe de mágica. E o mais estranho, deixando quase todas as suas roupas submersas na água. Os saltos, o vestido de época, o espartilho... Muito estranho...
Consegui sair da casa sem ser notado e fui para casa molhado, seminu e deixando um rastro de cloro por onde passava... Voltei algumas vezes para aquele bairro, mas nunca encontrei Sophia ou o homenzinho... Não importava... Eu estava novamente com o mundo em minhas mãos e ainda restavam muitos lugares a serem explorados.
Encontro Com o Inesperado
É difícil descrever a sensação de conhecer um lugar novo, onde tudo é diferente e inédito... E isso se torna ainda mais excitante quando você descobre que tem o mundo em suas mãos. Achei um nome – que para mim era novo – no mapa do metrô e decidi visitar os subterrâneos... De um aparelho de som saía uma música dançante e meu corpo não conseguiu ficar quieto... Mas logo o meu destino foi anunciado nos auto-falantes. Em breve eu seria um homem retirado de meu ambiente calmo, e ao mesmo tempo, agonizante... Eu viveria o novo e o desconhecido...
Assim que sai da estação, conheci duas pessoas extraordinárias; um homenzinho tocava uma bela melodia em seu surrado violino ao lado de uma garota simplesmente deslumbrante, a mais linda que eu já vi. De algum modo eles não pareciam se encaixar em nosso tempo. Principalmente ela, que usava estranhas roupas do século XIX. O sujeito sorriu para mim e eu lhes contei como estava feliz por estar junto de pessoas tão simpáticas e em um lugar novo para mim. Os dois ficaram muito agradecidos, mas invejavam minha felicidade: não existia um pedacinho de terra onde eles já não tivessem pisado! Conheciam cada centímetro do mundo! Aqueles andarilhos fabulosos haviam me conquistado! Eu estava disposto a tudo para ajudá-los e então o homenzinho revelou com sua voz um tanto esquisita seu mais secreto sonho: “Eu gostaria de conhecer as casas das pessoas... Sim, é o que me resta descobrir... O interior das casas... He, He, He...” Escolhemos a casa que nos parecia ser a mais interessante e pulamos o portão de entrada. Não foi difícil passar pela janela. Caímos na cozinha e Sophia – este era seu nome – tratou de matar sua sede. Meu Deus, que mulher sensacional! Ela conseguia ser muito sensual bebendo uma caixinha de leite. E enquanto ela bebia e se deliciava, acabava derramando o líquido em sua boca carnuda, em seu lindo queixo e em seu pescoçinho perfeito, até ele cair em seu discreto decote e atravessar seus pequenos, porém lindos seios.
A casa era realmente a mais interessante, tanto por dentro quanto, quanto por fora. Era fantástica, para dizer a verdade! Não faltavam quadros e esculturas de bom gosto e de todos os meus artistas preferidos: Manet, Monet, Picasso, Velázquez, Rodin... O vinho também não era de se jogar fora e os CDs eram sensacionais: de Rolling Stones a Chet Baker. Aquilo foi ficando divertido... Fiquei meio bêbado e tive a idéia de convidar pessoas estranhas pela lista telefônica. Lugares novos, pessoas novas... Seria perfeito!
Continua...
terça-feira, 10 de maio de 2011
Pobre Roberto
Era uma vez um menino chamado Roberto.
Ele devia ter uma vida feliz, mas as coisas não foram bem assim...
Roberto apanhava em casa, na rua e na escola.
Um dia, ele se revoltou e matou o pai a estiletadas.
Agora, Roberto só apanha no reformatório.
FIM
Ele devia ter uma vida feliz, mas as coisas não foram bem assim...
Roberto apanhava em casa, na rua e na escola.
Um dia, ele se revoltou e matou o pai a estiletadas.
Agora, Roberto só apanha no reformatório.
FIM
Música do Pântano
Eu era o melhor... Uma voz dos céus, uma presença lasciva, selvagem... Quando eu gemia uma canção de amor, eram nuvens de calcinhas que voavam pro palco... Verdade! Tinha tudo que um cara do interior como eu pode querer da vida: limousine preta, mulheres gostosas e muitas, muitas drogas...
À vontade... Uma casa nas alturas, um verdadeiro palácio; tinha até banheiros folheados a ouro... Verdade! Luís - a quem eu chamava de "Louie Louie", por causa da canção homônima - era meu melhor amigo. Um cara topa-tudo. Ele cuidava dos contatos, contratos, de publicidade e tudo mais. Eu cuidava principalmente de sua mulher, Ruth, uma potra selvagem. Trepei com ela até no meu banheiro folheado a ouro, numa festa... Verdade!! Louie não deve ter se ligado, e de qualquer maneira, éramos amigos. Amigos pra tudo. Logo que surgia um tempo livre entre duas turnês, íamos pescar no pantanal mato-grossense, de onde tinhamos nascido. Ah, de novo o cheiro do pantanal! Apenas eu e meu bom amigo. Grande Louie! Nunca entendi por que ele fez aquela brincadeira estúpida. Ele que sempre teve um humor sem fim... Imagina, me acertar várias vezes com o remo e me jogar do barco, bem naquela água lamacenta e fedorenta. E como se isso não bastasse, o sacana ainda roubou as minhas coisas e me abandonou no meio do pantanal... Mas que brincadeira imbecil!
Mas não me sinto acabado, isto não me afetou. Vou montar uma banda com músicos locais... Vamos ensaiar bastante. Um baixo pesadão, um backing vocal bem melodioso... Vai ser de arrepiar! E que se foda o Louie Louie! Estou viajando, sei disso. Mas vou voltar ao topo... E aí, se ouvirá nas rádios a verdadeira música do Pântano...
À vontade... Uma casa nas alturas, um verdadeiro palácio; tinha até banheiros folheados a ouro... Verdade! Luís - a quem eu chamava de "Louie Louie", por causa da canção homônima - era meu melhor amigo. Um cara topa-tudo. Ele cuidava dos contatos, contratos, de publicidade e tudo mais. Eu cuidava principalmente de sua mulher, Ruth, uma potra selvagem. Trepei com ela até no meu banheiro folheado a ouro, numa festa... Verdade!! Louie não deve ter se ligado, e de qualquer maneira, éramos amigos. Amigos pra tudo. Logo que surgia um tempo livre entre duas turnês, íamos pescar no pantanal mato-grossense, de onde tinhamos nascido. Ah, de novo o cheiro do pantanal! Apenas eu e meu bom amigo. Grande Louie! Nunca entendi por que ele fez aquela brincadeira estúpida. Ele que sempre teve um humor sem fim... Imagina, me acertar várias vezes com o remo e me jogar do barco, bem naquela água lamacenta e fedorenta. E como se isso não bastasse, o sacana ainda roubou as minhas coisas e me abandonou no meio do pantanal... Mas que brincadeira imbecil!
Mas não me sinto acabado, isto não me afetou. Vou montar uma banda com músicos locais... Vamos ensaiar bastante. Um baixo pesadão, um backing vocal bem melodioso... Vai ser de arrepiar! E que se foda o Louie Louie! Estou viajando, sei disso. Mas vou voltar ao topo... E aí, se ouvirá nas rádios a verdadeira música do Pântano...
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A Cidade da Servidão
Entre a Rua 81 e a Principal,
Jack estava imobilizado.
Susan acorrentada como animal,
Lá na Broadway de baixo.
Frank estava amarrado,
Anna com coleira
E Patrick pendurado
Mas era todo em vão,
Aquele emaranhado,
Na Cidade da Servidão.
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