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terça-feira, 10 de maio de 2011

Música do Pântano

Eu era o melhor... Uma voz dos céus, uma presença lasciva, selvagem... Quando eu gemia uma canção de amor, eram nuvens de calcinhas que voavam pro palco... Verdade! Tinha tudo que um cara do interior como eu pode querer da vida: limousine preta, mulheres gostosas e muitas, muitas drogas... 
À vontade... Uma casa nas alturas, um verdadeiro palácio; tinha até banheiros folheados a ouro... Verdade! Luís - a quem eu chamava de "Louie Louie", por causa da canção homônima - era meu melhor amigo. Um cara topa-tudo. Ele cuidava dos contatos, contratos, de publicidade e tudo mais. Eu cuidava principalmente de sua mulher, Ruth, uma potra selvagem. Trepei com ela até no meu banheiro folheado a ouro, numa festa... Verdade!! Louie não deve ter se ligado, e de qualquer maneira, éramos amigos. Amigos pra tudo. Logo que surgia um tempo livre entre duas turnês, íamos pescar no pantanal mato-grossense, de onde tinhamos nascido. Ah, de novo o cheiro do pantanal! Apenas eu e meu bom amigo. Grande Louie! Nunca entendi por que ele fez aquela brincadeira estúpida. Ele que sempre teve um humor sem fim... Imagina, me acertar várias vezes com o remo e me jogar do barco, bem naquela água lamacenta e fedorenta. E como se isso não bastasse, o sacana ainda roubou as minhas coisas e me abandonou no meio do pantanal... Mas que brincadeira imbecil!
Mas não me sinto acabado, isto não me afetou. Vou montar uma banda com músicos locais... Vamos ensaiar bastante. Um baixo pesadão, um backing vocal bem melodioso... Vai ser de arrepiar! E que se foda o Louie Louie! Estou viajando, sei disso. Mas vou voltar ao topo... E aí, se ouvirá nas rádios a verdadeira música do Pântano...

Um comentário:

  1. Porque será que o Louie aprontou essa com o amigo? Grande Pietro, continue escrevendo e se aperfeiçoando. Vá atrás de seu sonho. Procure aprender sempre, ler bastante os mais diversos autores. Na vida, nunca se sabe o suficiente.

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