- Quando os vejo como esta noite - diz Francesca ao fotógrafo -, reunindo seu tédio em torno a litros e litros de champanhe, tenho quase vontade de casar. Não, eu sou louca, vai ser um inferno, com certeza.
- Minha cara, você está precisando é de uma noite de amor excepcional, para partir com todo o brilho.
- Ora, Massimo, já esqueceu seu fracasso no quarto 16 do Danieli? Não vamos começar de novo a lamentar a incontrolável fragilidade das glândulas - zomba Francesca.
Terrivelmente ferido e envergonhado, Massimo se afasta. Intercepta um garçom que está passando e esvazia, um a um, todos os copos da bandeja. Depois começa a refletir ativamente, tentando encontrar uma maneira de despertar a admiração da jovem condessa. Enquanto isso, Donna e Filippo, duas crianças do vilarejo, são encarregados de fazer circular entre os convidados as bandejas de tira-gosto. Massimo, que está cambaleante, esbarra em Filippo e, irritado, joga o menino ao chão com um tapa etílico. Todos os convidados riem do garoto, que fica de quatro no meio do caviar. Excitado por estar criando o espetáculo, Massimo obriga o menino a continuar agachado no meio da comida.
- Que cachorrinho bonito - ele exclama, divertido - Mostre como você sabe latir direitinho.
Filippo obedece, com lágrimas nos olhos, enquanto sua irmã foge correndo.
- Pega o açúcar, cachorrinho, dá a pata, dá - caçoa Massimo.
Francesca observa o espetáculo com olhar entediado. A encenação acaba cansando. Os convidados se afastam, em busca de outras diversões. Aos poucos, os corpos amolecem, as luzes se apagam uma a uma e a noite toma conta do cenário. Massimo vomita no terraço e vai para seu quarto, mas não consegue dormir.
De manhãzinha, o fotógrafo deserta da mansão adormecida e desce até a praia. Domingo é dia de banho de mar para as crianças dos casebres vizinhos. Uma dezena de moleques se movimentam na beira da água. Entre eles está Filippo, que reconhece Massimo. Este, esgotado, só percebe o círculo quando já é tarde demais. As crianças o atingirão com pedras cortantes e, quando ele cair, espetarão em seu corpo pedaços de bambu, alfinetes de fralda e lâminas de barbear usadas. Massimo agoniza na areia avermelhada. No terraço da mansão, Francesca toma o café da manhã junto com sua amiga Sonia. Seu olhar se detém no cadáver que as ondas vão cobrindo intermitentemente.
- Massimo está nos deixando, minha cara Sonia.
- Seja como for, a vida é horrível, Francesca.
Depois, dois jovens vêm ter com elas, e a conversa logo se desvia para as qualidades e os defeitos do Lamborghini Reventón de um deles.

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