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sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Viajante

Nesta localidade da costa se encontram três bares e não há mais nada a fazer neste calor sufocante, a não ser comparar as qualidades intrínsecas de cada um destes estabelecimentos, respectivamente rosa, branco e azul. O primeiro é o mais próximo do mar, e, por esta razão, o viajante ali alugou um quarto. As duchas estão situadas em uma construção anexa. É prudente não se encontrar com o turista holandês nudista de nome Vincent. Este, tem o hábito de se banhar duas vezes ao dia, malgrado o frescor da água. Após o banho, ele ri muito alto, dando pancadas grandes em seu torso peludo. No terraço foram dispostas algumas cadeiras e o viajante achou que o lugar seria propício para a meditação. Mas seu espírito obscureceu-se ao longo das horas e das cervejas, sem jamais produzir a mínima reflexão coerente.
O bar branco domina o oceano. Ali, o viajante observou longamente a cadência e a amplitude das ondas. "A sétima é sempre a maior", registrou mentalmente. É preciso, para beber um pouco de álcool, esconder-se no interior de um local sombrio, onde os fregueses, por vezes, alinham à sua frente até dez canecas vazias de cerveja. Atmsofera esfumaçada, olhares insistentes.
A dona do "Miramar" - o terceiro bar - é uma viúva de pele morena e de seios generosos. Nos muros de sua sala estão pendurados os quadros de inspiração naif, pintados pelo falecido proprietário e marido. Esta mulher de físico excessivamente sensual e de carnes flácidas se mostrou compreensiva para com o viajante, numa tarde de melancolia.

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