(...) Ela saiu do chuveiro com seu corpo estonteante, e se virou, adivinhando a minha presença...
- AHHHHHHH!! Quem é você? O que é que você está fazendo aqui? Como você entrou?
Ela começou a ficar incrivelmente histérica. E eu, apenas gaguejando, sem entender coisa alguma.
- Saía! - ela berrava - Saía já daqui!! Agora, seu anãozinho asqueroso!!
- S-sim, eu estou indo...
- Vou chamar a polícia - ela disse, pegando o telefone.
Ela não deveria ter feito isso. Eu teria ido embora, eu juro!
- Larga isto, caralho!! - eu lhe ordenava, tentando arrancar o telefone de suas frias e delicadas mãos.
Mas era inútil, ela continuava berrando feito uma maluca. Não tive outra alternativa, a não ser derrubá-la no chão. Ela continuava histérica. E gritava como se alguém fosse matá-la... Seu pânico era contagioso. Ela tinha que parar de gritar de qualquer jeito. Seus gritos me excitavam mais e mais. Eu não me controlava mais. Ela tinha que se calar...
- Socorro!!
- Cale-se, cale-se, cale-se!!
Ela me arranhou, mas na minha raiva eu quase não senti nada. Enfiei seus longos cabelos pretos na sua garganta. Mais e mais fundo. Mais e mais cabelos. Mais e mais fundo... Depois de algum tempo, ela não ofereceu mais resistência e ficou sem se mexer.
Parada, ela era tão bonita... Tão bonita... Ela estava em minhas minúsculas mãos. E eu a possuí. Eu o fiz para por um fim à minha obssessão, para apagar a chama que me devorava. E nesse momento de felicidade e de loucura, eu me sentia crescer, crescer, crescer... Então eu percebi a fragilidade de seu corpo, assim como antes eu tinha notado a fragilidade de sua voz. Para que tirar os seus cabelos que estavam ainda na garganta? Ela estava morta. O arrependimento só veio mais tarde, bem depois da pervesidade, como a noite vem depois do dia. Eu tinha que ir embora, sair dali, o mais rápido possível!
- Pode entrar! Pode entrar!
Não acredito no que via na minha frente. Era um... um... HA, HA, HA, HA! HA, HA, HA! HA, HA!
- Os tiras vão chegar - eu lhe disse - para lhe fazer perguntas. O que é que você vai falar para eles? HEIN?!Você não vai abrir o teu bico, não é??
- Pode entrar! - era tudo o que o desgraçado dizia.- Você não pode falar nada, de jeito nenhum!!
O mais difícil é o primeiro passo. O primeiro passo segue o segundo. A uma porta segue uma outra. Ao primeiro crime segue o segundo.
- Pode entrar! Pode entr... Crouitch!
Eu parti na noite, repetindo a fala do papagaio. Entrei no abismo do remorso. Entrei no universo dos assassinos. Entrei num mundo que já não me parecia tão grande. Teria ele encolhido? Ou será que fui eu que cresci?!

adorei pietro.
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